sábado, 29 de dezembro de 2007

O Fim e o Começo








Para escrever sobre o Ano Novo eu não queria fazer os desejos e considerações tradicionais.
Buscando na Net (uma de minhas fontes de inspiração) encontrei uma mensagem bonita sobre encerramento de ciclos.
Essa mensagem me trouxe à mente o símbolo do Tao em que um de seus significados é o começo e o fim interligados, agindo e dando origem sempre a um novo começo.
Quem já leu o Tao sabe que não há um fim, não há um começo, não existe ação, não existe inação, não existe positivo, não existe negativo.
Tudo está lá e cabe a nós traduzí-lo, entendê-lo e vivê-lo.
Nós com nossa parca compreensão polarizamos em branco, preto, amor, ódio, ação, inação, positivo, negativo, oito, oitenta.
Se observarmos o símbolo do Tao um está no outro, onde um termina o outro já iniciou, se completam e se movimentam num círculo eterno. Nosso trabalho é fluir com ele.
Custei a tomar consciência de que um ciclo em minha vida estava terminado. Hoje sei que já estava no movimento de iniciar um novo ciclo. E agradeço ao Criador essa oportunidade de aprender e crescer.
Como também agradeço eternamente a todos os amigos e amigas, filhos e irmãos pelo suporte que estão me dando neste novo início de ciclo. É justamente nessas horas que entendemos realmente que Deus não nos desampara. Ele nos manda a pessoa certa e o auxílio correto para aquele momento.
A todos que estiveram comigo nesta jornada de 2007 agradeço de coração.
Cada um com sua ação (positiva ou negativa) provocou em mim um movimento de reação, reflexão e ação. E fez com que eu me aproximasse mais de minha Alma, despertando sentimentos adormecidos como o Amor Incondicional, o Perdão, a Compaixão, a Confiança no porvir, a busca da Serenidade, o Compartilhar e a Fé no Criador.

Um Grande Ano de 2008 a todos.
Repleto de Prosperidade, Abundância, Confiança, Paz, Harmonia, Luz, Vida e Amor.

Imma


Leiam o texto Encerrando ciclos que vale a pena.


Encerrando ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.

Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.

Sonia Hurtado, traduzido por Paulo Coelho

http://www.pensador.info/p/encerrando_um_ciclo/1/

domingo, 16 de dezembro de 2007

Sobre o Verdadeiro Espírito de Natal


Queria escrever uma mensagem de Natal e sei que corro o risco de ser repetitiva, pois muito já se escreveu, escreve e escreverá sobre o Espírito de Natal. Mesmo assim, vou compartilhar com minha família,amigas e amigos como sinto o Verdadeiro Espírito de Natal.
Prá mim não importa se Jesus, O Cristo, nasceu realmente em 24 de Dezembro, aproximadamente 2.000 anos atrás. Também não estou muito interessada em saber se Ele era branco, negro, amarelo, loiro ou moreno.
Se sua Mãe foi uma virgem fecundada pelo Espírito Santo?
Prá mim a Verdadeira Pureza e Virgindade do Ser Humano estão em sua Mente e Coração.
Portanto, não estou nem um pouco interessada nas discussões históricas, bíblicas, católicas, judias, evangélicas, islamitas, budistas, esotéricas, exotéricas, etc., etc., etc...
No que realmente acredito é que em determinado momento do caminhar da Humanidade, Deus, em sua Infinita Sabedoria e Compaixão, permitiu que a Energia Crística se manifestasse na Terra através de um de seus tantos filhos mais evoluídos. Não acredito de maneira nenhuma que era o Seu Único Filho, porque Filhos Dele com certeza todos somos, caminhando a passos lentos rumo à evolução crística.
O Mestre Jesus era um Avatar. Assim como já haviam surgido antes e surgirão sempre outros Avatares.
Naquele momento era necessário manifestar a Energia Divina e auxiliar (poderíamos dizer até acelerar) a Humanidade em seu processo de crescimento.
E assim se manifestou A Energia Crística através do Mestre Jesus, O Cristo.E o que Jesus veio nos dizer, ou melhor, lembrar?Que apesar de nosso envolvimento nas nossas "picuinhas" diárias é possível viver e praticar o Amor Incondicional. Que podemos e devemos multiplicar e repartir o que temos. E isto não se refere somente a dinheiro, posses materiais, comida, mas principalmente à Compaixão, Perdão (principalmente pelo seu pior inimigo), Amor Incondicional, Tolerância, Cura, enfim trata-se de repartir a Energia Crística que ele manifestou.
Pois, a partir do momento em que o Cristo se manifestou, essa Energia permaneceu com a Humanidade para nos lembrar do
compromisso que assumimos enquanto Almas - o de manifestar a Energia Divina aqui na Terra.
Para mim o Mestre Jesus viveu entre nós para nos lembrar daquilo que já sabíamos enquanto Almas.
Na verdade a busca e prática da manifestação da Energia Crística deve ser diária.
Entretanto é no Natal que lembramos de uma forma mais intensa de nosso Querido Mestre Jesus.
E como acredito que a comunhão de pensamentos e vibrações de Luz têm um poder muito maior do que o de uma bomba atômica, convido todos a lembrar neste período da Energia Crística que está dentro de nós.
Nos dias 24 e 25 de Dezembro vamos fazer aquelas comidas deliciosas, tomar aquele vinho gostoso (prá quem pode, né?), trocar presentes, claro!
Mas lembrando sempre de quem somos e às vezes nos esquecemos.
Somos Filhos e Filhas de Deus e estamos aqui para manifestar sua Divindade.
À meia-noite do dia 24 de Dezembro, quando nos cumprimentarmos e comemorarmos o nascimento de Jesus, vamos juntar nossas orações e vibrações (não leva mais que meio minuto), fazendo uma Corrente do Bem com pensamentos de Amor Incondicional, Compaixão, Perdão, Tolerância, Paz e Harmonia a todos os Seres que habitam este nosso planeta.
Vamos envolver nossa Amada e tão castigada Mãe Terra com esses mesmos
pensamentos, Ela merece!

Feliz Natal à Todos,

Com os meus pensamentos sinceros de Luz, Vida e Amor.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sobre justificar nossos atos e omissões

Alguma vez você já se pegou justificando seus atos?
Eu já me peguei e pego muitas vezes.
E por passar a vida inteira olhando para fora e justificando o injustificável me prendi numa numa rede perigosa da qual tento me libertar agora e vejo como é difícil desenrolar os fios dessa rede e se libertar dela.
Passamos a vida inteira explicando nossas atitudes e comportamentos: "Sou assim porque meus pais me fizeram assim ou assado". "Ah eu sou igualzinha ao meu pai, por isso que eu saio por aí derrubando tudo feito um trator". "Não lavo essa louça direito porque minha mãe não me ensinou". "Sou igualzinho à minha mãe, me calo, não me intrometo, me omito, fico na minha"."Faço a guerra porque quero conseguir a paz (que incongruência)". "Grito com o vizinho porque ele gritou comigo". "Não paro um tempo para ouvir meu filho (a) porque agora tenho que sair correndo para o trabalho". "Não vou visitar meu pai doente porque estou com a agenda lotada, quem sabe daqui a uma semana (e daqui a uma semana ele já morreu)". "Não ajudo uma pessoa necessitada porque tenho meus próprios problemas e, afinal de contas, isso é obrigação do estado". "Não declaro meu amor porque estou magoada com o que ele me fez". "Não faço amor agora porque gritaram comigo ou seja lá com quem for"."Traio meus princípios e também minha companheira, cúmplice, apoiadora e que me ama verdadeiramente porque a vida lá fora está cheia de oportunidades (falsas)". "Traio essa companheira porque ela me magoou no passado". "Não cresço profissionalmente porque estou velho". "Não estudo para o concurso porque estou sem cabeça (claro me distraindo com as "oportunidades" falsas lá fora". "Magoo minha mãe porque quero me vingar do meu pai que a trai (essa é ótima)". "Faltei naquela entrevista de emprego porque eu sabia que não ia passar, são muitos concorrentes". "Não paro um minuto para me conectar com a minha Alma porque estou sem cabeça e não dá tempo (quem sabe quando eu morrer ou na próxima vida)".
Poderia colocar aqui milhares de justificativas que vamos dando a nós mesmos e aos outros ao longo de nossa vida para não acordar, agir, crescer e tomar nosso destino nas mãos.
Somente eu posso mudar minha vida! Somente eu posso fazer o movimento do crescimento. Somente eu posso me conectar à minha Alma.
E quando acordamos o preço que temos que pagar por essa atitude imatura é alto. Dói e dói muito, acreditem!!! Eu sei do que falo.
Abençoados aqueles que acordam cedo e saem dessa teia de justificações inúteis e mentirosas.
Mas, como dizia Sebastião Marques, meu sogro e grande homem: "Antes de fechar o caixão sobre a gente ainda dá tempo de aprender e mudar".
Então mãos à obra porque eu estou acordando e estou mudando.
Quem quiser me dar a mão e sair dessa rede (junto comigo ou não) prometo que, apesar da dor intensa, o que nos espera é uma alegria imensa e um sem fim de realizações maravilhosas, reais e verdadeiras, sem justificações falsas...

Coloco aqui o link da Amiga Regina para o texto maravilhoso do Mário Quintana - Deficiências. Foi esse texto que inspirou este post. Corrigindo, a autoria do texto é da Prof. Renata Villela.
Valeu Amiga! Obrigada!

http://reginamilone.blogspot.com/

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Em que Tempo você está?

Em minhas buscas por mensagens me deparei com Eclesiastes 3, 1-8.
Estava triste, magoada, irada e em dúvida sobre que atitudes e decisões tomar neste momento.
E essa mensagem do Antigo Testamento de certa forma me acalmou.
Não adianta eu ficar ansiosa, querer uma solução imediata dos meus problemas.
Agir impulsivamente e me arrepender depois.
Ou ficar paralisada e também me arrepender por ter perdido o tempo da decisão.
E após uma reflexão buscando a quietude para ouvir minha voz interna, entendi que meu tempo agora é o de calar, amar e perdoar.
Porque o que colho agora é resultado do que plantei, tanto de bom, como de ruim.
E não adianta berrar, me descabelar, bater o pé, bancar a "macha", fazer birra e me voltar contra tudo, todos e até contra o Criador. Em última instância, tudo voltará para mim - a semente boa que plantei dará um bom fruto, a semente ruim que plantei dará um mau fruto.
Não quero dizer com isso que tenho que engolir, ficar quieta, não manifestar o meu descontentamento com determinadas atitudes e comportamentos do outro.
Mas existem formas saudáveis de lidar com isso e agir por impulso não é uma delas.
Já li em algum lugar que você pode dizer a mesma coisa e conseguir resultados opostos. O que difere nesse caso é como eu digo essa coisa. Por exemplo: "Você não é confiável!". Diferente de dizer "Não gostei dessa atitude que você tomou ao contar o meu problema a outras pessoas, eu te pedi sigilo e confiei em você." O fato ocorrido é o mesmo a forma de manifestar o meu descontentamento foi diferente. Na primeira afirmação gritei e generalizei, afirmei que a pessoa é sempre assim. Na segunda afirmação falo baixo, calma, pontuo e aponto apenas um comportamento ocorrido naquele momento, não defino a pessoa como sempre sendo assim. Qual será a reação da pessoa em cada afirmação?
Sempre posso escolher como vou reagir.
Posso transmutar a minha raiva, posso me olhar no espelho com honestidade e ver até que ponto sou responsável pelo que acontece comigo agora. Devo refletir, buscar a lucidez, ser clara, objetiva e muito honesta comigo e usar o tempo em seu momento correto.
Refletir, ir prá dentro de mim, me olhar com honestidade, separar o joio do trigo, usar a inteligência para reconhecer o tempo certo de: falar, guerrear se for preciso, perdoar, amar, abraçar, afastar, curar, destruir para reconstruir, morrer e renascer como a Fênix.

E você em que Tempo está? Reflita sobre isso...



Tempo para tudo

(Eclesiastes 3, 1-8)

Tudo neste mundo tem seu tempo
Cada coisa tem sua ocasião
Há um tempo de nascer e tempo de morrer
Tempo de plantar e tempo de arrancar
Tempo de matar e tempo de curar
Tempo de derrubar e tempo de construir
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar
Tempo de chorar e tempo de dançar
Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las
Tempo de abraçar e tempo de afastar
Há tempo de procurar e tempo de perder
Tempo de economizar e tempo de desperdiçar
Tempo de rasgar e tempo de remendar
Tempo de ficar calado e tempo de falar
Há tempo de amar e tempo de odiar
Tempo de guerra e tempo de paz

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Os filhos e a permissividade dos pais

Esta reflexão foi feita a dois.
Começou com um texto que o Luigy me mandou sobre limites, escrito por Monica Monasterio (Espanha).
A conseqüência foi como o rolar de uma bola de neve.
Uma conversa leva à outra, uma reflexão leva à outra e hoje meu companheiro com muita propriedade escreveu seu desabafo e eu complementei.
Coloco a seguir a nossa reflexão e desabafo:


Olá amigos,
Afinal caiu minha ficha.
Ao reler a matéria enviada pela amiga Cida Lorenzini intitulada "Limites" acabei revendo uma angústia que há muito conflitava a relação com meus filhos e os jovens em geral.
Esse texto está maravilhoso para o meu entendimento.

Por muito tempo remei no sentido contrário do modismo.
Porém não conseguia captar o real significado e traduzi-lo para a prática.
Após algumas trocas e bate papos com os amigos e amigas veio o insight.
Nao se tratava de uma simples bronca em cima da moçada... Afinal, eles não têm culpa alguma.
O buraco era mais embaixo.
O texto "Limites" acertou bem no alvo.
Fomos nós os pais, geração "Hippie" e do pós guerra que relaxamos em tudo e que perdemos o fio da meada. E ainda não percebemos esse erro.
No intuito de amenizar os estragos da geração anterior abrimos a porteira. Confundimos Amor com permissividade. Quisemos negar o autoritarismo e, ao invés de usar do Amor com Autoridade, nos omitimos. E quando nos demos conta do mal que fizemos o circo já estava em chamas.
Os filhos sem ter noção do embrólio que receberam de presente, foram fundo em suas exigências, pedidos, solicitações etc e tal. E foram atendidos.
Antigamente presente para as crianças era no máximo três vezes ao ano - aniversário, dia das crianças, natal e olhe lá!
Hoje as crianças recebem presentes de todos os tipos a qualquer momento. Tudo é feito no sentido de fazê-los consumidores.

Viva a Xuxa! Viva Os Trapalhões! Viva Os Simpsoms!
Sem perceber entramos na competividade do capitalismo selvagem e esquecemos de ensinar aos nossos filhos "o fazer as coisas pelo puro prazer de fazer, o de fazer as coisas com amor" - Carpe Diem - Colha o Dia.
Envolvidos pela competição desenfreada e pela sobrevivência permitimos que nossos filhos nos olhem de cima prá baixo, porque afinal de contas a maioria de nós pais não têm MBA como eles. Nós pagamos sua educação! Nós permitimos e não ensinamos que a competição deve ser consigo mesmo, não com o amigo, vizinho ou desconhecido.

Engolidos pela competitividade não se tem mais horário de nada, para nada.
Nossos filhos saem e não tem horário para voltar e de preferência nem dizem aonde vão.
Dormem a hora que bem entendem e acordam quando dá vontade.
Mesmo aqueles que já são adultos, trabalham, estudam e vivem conosco, querem usufruir apenas das regalias do teto sem participar e compartilhar o viver em família.

O teto é nosso, dos pais, construído por nós e eles usufruem sem se empenhar em construir um ninho para eles. Claro que tudo isto é uma síntese do que ocorre por aí...
Responsabilidade deles? Não! Nós permitimos!
Quando as mães saíram para ganhar mercado deu-se a ruptura do tênue equilíbrio que havia. A mãe delegou a função de orientadora e cuidadora às cheches, babás, avós e escolas. E consumidas em culpa permitimos, permitimos, permitimos...
Nada errado em ganhar mercado. Pois essa permissividade também ocorre com as mães que não trabalham fora. A dinâmica é a mesma, às vezes pior até (basta ver aqueles programas da Super Nanny).

Errado é consumir-se em culpa e permitir.
Errado é omitir-se da função de cuidadora.
Já se diz há muito tempo que o que importa não é o tempo que passamos com os filhos, mas a qualidade da relação que estabelecemos com eles no pouco tempo que temos com eles. Repetimos esse conceito feito papagaios, porém a prática inexiste.
E os pais, ah os pais. No intento de sensibilizar-se e trabalhar mais o lado feminino, deixaram de ser machistas e autoritários como foram seus pais, mas se enfraqueceram.

Não souberam trabalhar a autoridade e se omitiram. Era melhor deixar a função do "Não", da disciplina, do limite com os avós, as professoras, as "tias". Nos omitimos, omitimos, omitimos...
É função dos avós mimar, suavizar, amenizar e tentar transgredir a disciplina e o limite dos pais.

Nós viramos tudo de cabeça para baixo nos tornamos pais-avós!
E o casal, existe casal? Pode-se contar nos dedos os casais que permaneceram juntos por pelo menos uma geração.
Não desenvolveram a cumplicidade, a amizade, a parceria, o amor verdadeiro, a paciência.
Quiseram fugir do casamento de aparência, de mais de quarenta anos dos pais, e caíram numa cilada pior.
O sexo acabou? Procura-se outro. Afinal hoje tudo é permitido.
Sexo é bom? Maravilhoso! É um dos momentos mais íntimos e grandiosos que dois seres podem compartilhar. O problema não é do sexo é o que fizemos dele e com ele!
A paciência acabou? A culpa é dele. A culpa é dela. E vamos prá outra!
E as juras de amor foram prá onde? Acabaram na última transa? Foram procurar o que é que se faz quando a novidade sexual começa a esmorecer? Quando os conflitos inevitavelmente surgem? Tentaram conversar? Ouvir realmente um ao outro sem acusações? Juntaram esforços para entender e praticar as promessas feitas no dia do casamento (não importando se foi na igreja, cartório, mesquita, ou na praia...)?
E mesmo pais e mães solteiros ou separados tentaram estabelecer uma relação saudável com os co-produtores desses filhos? Ela diz: - "Não precisa eu me basto. Sou mais "macha" que muito homem". Ele diz: - "Não precisa eu me basto. Sou mais mãe que muita fêmea".
E hoje estamos todos, aos 50, 60 anos, com corpinho de trinta, orgulhosos por sermos atletas sexuais e podres emocionalmente. Sozinhos, profundamente sozinhos e reféns de nossos filhos. Ou alguém nega que em algum momento não tentou comprar o amor de seus filhos? Já que não soube construir uma relação de amor verdadeiro com seus (suas) parceiros (as) e muito menos com os filhos...
Hoje os filhos (as) trazem namoradas (os) para casa e não raramente acabam indo para os quartos "para namorar".
A mãe deste menino nada faz para impedir...
A mãe da namorada também, às vezes nem sabe ou não quer saber...
E o pai cadê o pai? Provavelmente dormindo com a filha (ou o filho) de alguém... É mentira? Afinal somos atletas sexuais.
Tá tudo dominado! Nós permitimos!
Pergunta: Nós tivemos essa moleza?
Para animar esta reflexão trazemos abaixo o texto inspirador de Kalil Gibran Kalil que povoou muitas cabeças nos anos 60/70.
Vejam também o texto Limites: fugimos de nossos pais e caímos cativos dos filhos
Provavelmente esta reflexão despertará críticas e o propósito é esse mesmo.
Se gostar passe prá frente, inclusive aos filhos, pois a discussão apenas começou...
Um abraço fraterno aos pais cinqüentões como nós, aos pais mais recentes e aos futuros pais...

Luigy e Imma

Os Filhos (Do Livro "O Profeta")


Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
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"LIMITES" de Monica Monasterio (Madrid-Espanha)

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e poderosas do que nunca.
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.
Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.
Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.
E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.
À medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudou de forma radical, para o bem e para o mal.
Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.
Mas, à medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem.
E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim. E seus palpites também. "Exercem pressão para direcionar a trajetória dos pais, para que isso nao atrapalhe seus planos futuros".(LCM)
Quer dizer: os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado.
Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para ser os melhores amigos e "tudo dar" a seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem. ("muitos filhos talvez não tenham a devida força para o enfrentamento dos obstáculos da vida, tal a facilidade que os pais lhe proporcionam"(LCM) Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão.
Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.
Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, os carregando e rendidos à sua vontade.
É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.
Os limites abrigam o indivíduo.
Com amor ilimitado e profundo respeito.

(Gentileza de Monica Monasterio-Madrid-España)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Água, Terra, Fogo e Ar

Outro dia esbarrei com a música Chega de Mágoa.
Comecei a chorar. Bom, prá chorar últimamente não preciso de muita coisa. Mas me emocionou.
Senti um misto de dor, amor, revolta, culpa, gratidão.
Faz 22 anos que essa música foi lançada e fazia parte do projeto Nordeste Já. Era a versão brasileira do We Are The World, por sinal linda e comovente também.
Quanto tempo faz que a humanidade vira e mexe lança um apelo para a preservação de nosso planeta? Aí todo mundo se emociona, canta, fala, protesta e depois de um tempo cai no esquecimento.
Então tento entender porque a coisa não emplaca, não se torna um projeto de vida? Porque somos tão egoístas, omisos e irresponsáveis com os bens naturais que nos foram emprestados?
E uma vozinha me responde: "Se você não consegue ser responsável por você mesma, como pode querer ser responsável por qualquer outro?"
É acho que a resposta, prá variar, está na gente.
Quando me disponho a cuidar de mim, em todas as dimensões de meu ser - física, emocional, mental e espiritual, naturalmente passo a cuidar dos outros seres.
Então, mãos à obra MINHA GENTE!
Vamos cuidar de nós todos e de nossa tão sofrida Mãe Terra.
Tenho certeza que cada um de nós pode fazer o seu papel de Beijaflor - um pouquinho, mas um pouquinho constante, diário, sem parar.
Muita gente que participou do evento Nordeste Já passou para o outro lado.
Será que passaremos todos para o outro lado sem olhar para o que realmente importa?
Tenho fé que não.

Prá quem quiser matar a saudade (ou nunca viu) coloco aqui a letra e o link para o vídeo do Youtube.

Chega de Mágoa

Nós não vamos nos dispersar
Juntos é tão bom saber

Que passado o tormento
Será nosso esse chão...

Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga

Te quero água de beber,
Um copo d´água
Marola mansa da maré
Mulher amada

Te quero orvalho toda manhã
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira,
Tem que ter festa, vamos pra vida

Te quero terra pra plantar, ah
Te quero verde
Te quero casa pra morar, ah
Te quero rede
Depois da chuva o sol da manhã

Chega de mágoa,
Chega de tanto penar

Canto e o nosso canto,
Joga no vento uma semente,
Gente, olha essa gente
Olha essa gente
Olha essa gente

Te quero água de beber
Um copo d´água
Marola mansa da maré
Mulher amada

Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede

Depois da chuva o sol da manhã
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (gente pra ser feliz, feliz)

Te quero água de beber (me dê um copo)
Um copo d´água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o sol da manhã

Chega de mágoa
Chega de tanto penar.

(Criação coletiva: com Milton Nascimento, Djavan, Rita Lee, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Simone, Lobão, Paula Toller, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, Gilberto Gil, Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Fagner e outros)

http://www.youtube.com/watch?v=ybTsdNEKw60

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Amor

Ultimamente não estava muito inspirada a escrever. Mas uma poesia que recebi de uma grande amiga virtual, a Sandra, e uma música da Marisa Monte me "cutucaram".
Existem momentos na vida da gente em que o amor que sentimos é tão forte, intenso e pleno que parece abarcar o Universo.
Por outro lado, há períodos em que esse amor é doído, triste, também intenso, sentimos como se o coração sangrasse... E se não tomarmos cuidado pode nos levar a sua manifestação oposta - o ódio e a mágoa.
E passamos a vida alternando entre os dois opostos (e suas vias intermediárias) amando e sofrendo, amando e sofrendo, amando e sofrendo...
Mas, está tudo bem. Faz parte do nosso crescimento, forja nosso ego, nos torna mais fortes e compassivos.
Digo isso das pessoas que estão empenhadas em crescer e cumprir o seu propósito de vida e chegar ao aprendizado do Amor Incondicional. Pobres daqueles que se consomem a vida inteira na paixão e na mágoa e se queixam pela eternidade sem perceber que tudo faz parte e está dentro do plano. Alternam entre a baixa estima e o egoísmo e passam pela vida machucando - aos outros e a si mesmas (principalmente a si mesmas).
Consumir-se no amor e na mágoa faz parte de nosso crescimento também, mas é um estágio, não podemos repetir, repetir, repetir...
Tem que haver o empenho de passar de ano, graduar-se e chegar ao próximo estágio que é o do Desapego.
Ao sentir a plenitude do Amor temos que nos desapegar. Quando sentimos a dor do Amor temos que nos desapegar. É como um sair da gente, olhar de fora e pensar: "Está tudo bem. Isto também passará".
Fácil? Nada fácil. Exige disciplina, vontade e muito Amor e Compaixão - por você e pelo outro.
Porém com certeza ao fazermos esse movimento abrimos espaço para uma nova manifestação do Amor.
E a cada movimento do Amor talvez cheguemos à meta de nosso Criador que é manifestar o Amor Incondicional.
Na seqüência o poema e a música que inspiraram este post:

“A Minha Amada”

Que castelo se escondia?
Tesouro precioso
Princesa da beleza
No amor tu és rainha
Quem ousava te afligir?
Alguém que certamente o bem não conheceu
Surgiu como luz na escuridão
Na tristeza fez sorrir
És bela e formosa
Única dentre jóias raras
Faça do meu peito seu cofre
Pois sem teu amor, resta-me a morte
Não há no mundo mulher igualAmada, adorada, generosa
Merece o melhor por ser tão especial
Mulher de Deus, virtuosa
Nasceu para brilhar, iluminada
Meiga, fiel, amiga e sincera
Nada além posso desejar
Tenho tudo em você Sandra
És somente minha, exclusivaRiqueza por mim descoberta
Vivo para te fazer feliz
Pois a sua felicidade é a minha
Somos corpo, alma e espírito
Deus, para sempre, nos uniu
Tudo é pouco para você
Merecedora do paraíso
Sou teu rei, teu príncipe
Teu amigo, teu amado
Antes de tudo, sou teu amor
O bem que me fez tranformado
O teu amor reina em mim
Resplandece como o sol na aurora
Somos começo, meio e fim
Da história de amor verdadeira.
Te amo além da vida!

Teu Amado, Ale R.
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Marisa Monte e Arnaldo Antunes - Grão de Amor

Me deixe sim
Mas só se for
Prá ir ali
E prá voltar.

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar

Me esqueça sim
Prá não sofrer
Prá não chorar
Prá não sentir

Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto o seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração

Coloquei o link para o YouTube para quem quiser ouvir a música.
http://br.youtube.com/watch?v=8xXOSJz0AvI